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  • DE ONDE VEM A PALAVRA "SEBO"?

  • Existem algumas versões a respeito, uma delas diz que no tempo em que não havia luz elétrica as pessoas liam à luz de velas. As velas, naquele tempo, eram feitas de gordura, de sebo. Conforme iam derretendo, acabavam sujando os livros, que ficavam engordurados. Outros dizem que os estudantes e leitores vorazes por irem a todos os lugares com um livro embaixo do braço acabavam por torná-lo sujo, ensebado. Por isso, os alfarrabistas, vendedores de livros velhos, ficaram conhecidos no Brasil como caga-sebos, e com o tempo a livraria que negocia usados ganhou o nome de sebo, que não era lá muito elogioso. Dizem que um livreiro de Pernambuco foi o primeiro a assumir esse nome e colocá-lo na porta de entrada da sua livraria, nos anos 50.

    Uma outra versão foi defendida por Silveira Bueno (Grande Dicionário Etimológico Prosódico da Língua Portuguesa), que classifica: "Do particípio presente 'sapiente' se fizeram várias derivadas: 'sabença' ('sapientia'), 'sabente' e desta forma 'sabentar-se' em espanhol, 'asabentar' em provençal, catalão, correspondendo ao italiano 'insaventire', tornar-se sábio, eruditar-se, instruir-se, donde o português arcaico 'assabentar', 'sabentar'. Desta forma verbal saiu 'sabenta', a apostila, o conjunto de lições, explicações de aula. Houve assimilação de 'a' e 'e' ('sebenta') já sob a influência do adjetivo 'sebento', 'sebenta'. Assim, 'sebenta' nada tem a ver com 'sebenta' de sebo, mas queria dizer: a obra, a coleção de notas de classe que tornava o estudante mais preparado, mais sábio."

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  • BOUQUINISTE, SEBO E DRUMMOND

  • "SONETO DA BUQUINAGEM

  • Buquinemos, amiga, neste sebo.
    A vela, ao se apagar, é sebo apenas,
    e quero a meia-luz. Amo as serenas
    angras do mar dos livros, onde bebo

    — álcool mais absoluto — alheias penas
    consoladas na estrofe, e calmo, e gebo,
    tiro da baixa estante sete avenas
    em sete obras que pago e que recebo.

    Amiga, buquinemos, pois é morta
    Inês de antigos sonhos, e conforta
    no tempo de papel tramar de novo

    nosso papel, velino, e nosso povo
    é Lucrécio e Villon, velhos autores,
    aos novos poetas muito superiores."

    Carlos Drummond de Andrade


    Buquinagem é uma traquinagem de Drummond. Posso estar errado, mas até onde sei, não existe em português nem Buquinagem e nem buquinemos. Ambas podem ser substituidas, vulgarmente, por "garimpagem" e "garimpemos". O Bouquiniste, na França, é o vendedor de livros velhos, como aqui são os Sebos. Lá, a palavra deriva do cheiro do bode, aqui ficamos apelidados com o manusear sebento dos livros, por isso sebo, lá a designação dos pobres coitados ficou por conta do cheiro dos livros, das encadernações velhas... Que profissão marginalizada verbalmente... acredito que deva ter sido praga de cliente, só pode!... Alguém não quis dar desconto e acabou apelidado!

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  • QUAL A DIFERENÇA ENTRE LIVROS ANTIGOS (RAROS) E LIVROS VELHOS?

  • Livro antigo e livro velho são a mesma coisa. Ambos têm um certa idade, mas, por uma espécie de tabu lingüístico, é mais elegante se referir a um livro usado como livro antigo ao invés de usar o termo livro velho, que dá um ar pejorativo, lembrando um livro em péssimo estado de conservação. Ambos os adjetivos qualificam corretamente o livro usado. Isso posto, vamos a outra questão, o livro raro.

    Nem sempre um livro antigo é considerado um livro raro e vice-versa. Segundo algumas definições, o livro antigo para ser chamado de raro precisa enquadrar-se em algum critério para ser assim considerado. No geral são livros raros brasileiros todas as primeiras edições de autores consagrados do século passado, livros impressos no Brasil no período da regência de D. João VI e do Primeiro Reinado. Também são considerados livros raros os que possuem alguma particularidade, como um autógrafo do autor do livro ou quando pertence uma edição especial de uma obra, quando tem uma tiragem pequena, é impressa em papel especial e numerada, além de receber a assinatura do autor. Um livro também pode se tornar raro por um erro de impressão, como exemplo temos a edição de 1902 das "Poesias Completas", de Machado de Assis, publicada pela editora Garnier. Na "Advertência" que precede os poemas, Machado escreveu: "... a afeição de meu defunto amigo a tal ponto lhe cegara o juízo...". porém, por um erro de composição gráfica a palavra cegara saiu impressa com um "a" no lugar do "e", deixando Machado bastante transtornado levando-o a corrigir boa parte do erro à mão, segundo alguns relatos, riscando a letra "a" e escrendo a letra "e" por cima. Essa obra existe em três estados, o livro com o erro, que foi vendido antes que descobrissem a falha, o livro com o erro corrigido a mão e o livro com o erro corrigido pela editora, que parou a impressão, corrigiu a composição da página e voltou a imprimir. Os três "estados" da obra são raros e bastante procurados pelos colecionadores.

  • Não precisa ser muito antigo para um livro ser considerado raro. Por exemplo, dois álbuns gravados e coloridos a mão criados pelo escritor Ariano Suassuna nos anos 80 do século XX. As obras são guardadas em caixas de madeira, cada uma contendo dez pranchas. Um dos álbuns, de 1980, chama-se Sonetos de Mote Alheio. O outro, feito cinco anos depois, tem exatamente a tradução de seu nome, Sonetos de Albano Cervonegrolivro. Eles foram impressos semi-artesanalmente na Universidade de Pernambuco - só o branco e o preto, o resto Suassuna coloriu à mão - com letras manuscritas em folhas soltas e tiragem de 50 exemplares. A pequena tiragem de uma obra de um autor conhecido e apreciado, a forma como esse livro foielaborado e apresentado também determinam a raridade da obra.

    Um livro não é raro só porque ele é antigo ou teve tiragem pequena. O conceito é muito mais abrangente. Ele pode ser raro devido a inúmeras peculiaridades: características únicas em relação aos demais exemplares no mundo, estar dentro de um limite histórico ou ainda apresentar aspectos bibliográficos diferenciados (papel, gravuras, encadernação etc.), dentre outros critérios.

    Seguem abaixo os tópicos adotados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro para classificar uma obra como rara:

    . Impressões dos séculos XV; XVI; XVII e XVIII.

    . Obras editadas no Brasil até 1900.

    . Primeiras edições até o final do século XIX.

    . Edições com tiragens reduzidas, com aproximadamente 300 exemplares.

    . Edições de luxo.

    . Edições clandestinas.

    . Obras esgotadas, especiais e fac-similares, personalizadas e numeradas, críticas, definitivas e diplomáticas.

    . Obras autografadas por autores renomados.

    . Obras de personalidades de projeção política, científica, literária e religiosa.

    . Exemplares de coleções especiais (regra geral com belas encadernações e ex-libris).

    . Exemplares com anotações manuscritas de importância (incluindo dedicatórias).

    . Obras científicas e históricas que datam do período inicial de ascensão de cada ciência.

    . Edições censuradas.

    . Obras desaparecidas, face à contingência do tempo.

    . Edições populares, especialmente romances e folhetos literários (cordel, panfletos).

    . Edições de artífices renomados.

    . Edições de clássicos, assim considerados nas histórias das literaturas específicas.

    . Teses defendidas até o final do século XIX.

    . Periódicos estrangeiros dos séculos XV a XIX.

    . Primeiros periódicos brasileiros técnico-científicos.

    . Teses defendidas na UFRJ estão qualificadas como Coleções Especiais.

    Referências Bibliográficas:

    BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Critérios par a qualificação de obra rara (comunicado interno). 1 f.

    PINHEIRO, Ana Virgínia T. da Paz. Que é livro raro - Uma metodologia para o estabelecimento de critérios de raridade bibliográfica. Rio de Janeiro: Presença, 1989. 71 p.

    Fontes de Referência para Pesquisa Bibliográfica de Livros Raros

    MORAES, R. B. de BIB. BRASILIANA – 1958

    MORAES, Rubens Borba de. Bibliografia Brasiliana : a bibliographical essay on rare Books about Brazil published from 1504 to 1900 and works for Brazilian authors

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    • O VOVÔ DOS SEBOS BRASILEIROS

    • No livro "Memórias da Rua do Ouvidor", Joaquim Manuel de Macedo, ao narrar a história dessa famosa rua carioca ao longo de trezentos anos, nos apresenta o que deve ter sido um dos primeiros sebos brasileiros: a Casa do Livro Azul.

      Dirigida pelo francês Albino Jordan, abrasileirado para Albino Jordão, foi uma das primeiras a vender livros usados.

      A livraria funcionou de 1828 até 1852, inicialmente no número 138 da Rua do Ouvidor e posteriormente no número 121, no trecho hoje compreendido entre as atuais ruas Miguel Couto e Gonçalves Dias

      Macedo recorda-se dele em 1838, velho, cego e um pouco surdo, usando uma espécie de corneta de cobre ao ouvido para entender o que os fregueses queriam. Quando os seus ajudantes demoravam muito para achar o livro solicitado pelo cliente, ele, sem ver, levantava-se e ia certeiro até onde se encontrava a obra desejada. Como conseguia tal proeza? Dizem que tinha uma memória formidável e que sabia a localização das obras pois organizava sozinho os livros nas estantes.



  • PARA QUE MONTAR UMA BIBLIOTECA PARTICULAR?

  • Dizem que um poeta francês foi apresentado, certo dia, a um banqueiro muito rico, que perguntou a ele: "Para que serve a poesia?". O poeta respondeu: "Para o senhor, não serve para nada". É assim também com as bibliotecas pessoais: para quem só reconhece as coisas que tenham utilidade imediata, pode não servir para nada. Mas para quem aprecia a cultura e a beleza, torna-se um hobby de importância fundamental, já que muito do conhecimento de um povo se mantém graças às coleções particulares de livros, que muitas vezes se tornam a base de grandes bibliotecas. Um exemplo é a Folger Library, de Washington, formada por H. C. Folger, que tem o maior acervo sobre Shakespeare e seu tempo do mundo. A bibliofilia não é apenas um hobby inocente ou um negócio. É uma obra de benemerência.

    (Fonte: MORAES, Rubens Borba de. O Bibliófilo Aprendiz. Rio de Janeiro/Brasília,Casa da Palavras/Briquet de Lemos, 1998, 3ª Ed.)


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  • COMO INICIAR UMA BIBLIOTECA PARTICULAR?

  • Quase todo mundo compra livros de vez em quando, seja por necessidade profissional, seja para se divertir em uma viagem, por exemplo. Com isso, pode acumular muitos livros, sem ter uma verdadeira coleção. O primeiro passo para se tornar um bibliófilo, além de gostar de livros, é claro, é escolher com cuidado quais os temas que se quer colecionar. Se não houver um critério, corre-se o risco de sair comprando qualquer coisa e acabar com uma livraria com jeito de biblioteca pública. Pode-se escolher um determinado assunto, um autor, um período histórico: fica a critério de cada um. Prefira aqueles assuntos que você aprecie ou de que entenda bastante, restringindo o quanto achar necessário. Ao invés de colecionar livros de Medicina em geral, por exemplo, você pode decidir comprar apenas livros antigos de anatomia. E pense também na sua condição financeira, pois alguns assuntos são bastante caros. Uma vez decidido o que você vai colecionar, aprenda o máximo que puder sobre o tema. Quanto mais erudito, maior a possibilidade de formar uma bela biblioteca.

    (Fonte: MORAES, Rubens Borba de. O Bibliófilo Aprendiz. Rio de Janeiro/Brasília,Casa da Palavras/Briquet de Lemos, 1998, 3ª Ed.)


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  • A ARTE DE COMPRAR LIVROS

  • Livrarias não são instituições de caridade, e sim casas de negócios. O livreiro pode ser grande conhecedor de livros, apreciá-los e até ser um bibliófilo, mas seu objetivo é ganhar dinheiro, como qualquer comerciante. Por isso, por mais que queira ajudar você, ele não irá vender os livros por uma pechincha, mas o bom livreiro também não vai "enfiar a faca" e vender por mais do que vale. A arte do bom livreiro antiquário consiste em servir de intermediário entre quem quer vender, mas não sabe para quem, e quem quer comprar, mas não sabe onde encontrar. Encontrar o preço justo faz parte dessa arte, embora ele também esteja sujeito a erros, vendendo muito barato algum e muito caro outro. Esses preços dependem da cotação do mercado no momento, que pode valorizar muito um autor hoje e esquecê-lo amanhã. O livreiro que não seguir essas regras terá sua reputação manchada.

    O bibliófilo que não tem muitos recursos financeiros, mas com bom faro, pode montar uma coleção invejável escolhendo um tema não muito procurado hoje. Mas sempre haverá aquele que, ainda que não seja caro, aparece raramente. O bom livreiro, que conhece sua freguesia, pode ser um aliado nesse momento. Se ele souber o que você anda procurando, ele terá prazer em oferecer-lhe em primeiro lugar. Não deixe de comprá-lo, porque nunca se sabe quando aparecerá outro. Por outro lado, há livros, mesmo raros e caríssimos, que sempre giram de mão em mão e portanto aparecem sempre. Esses podem ficar para depois.

    Prefira os bons exemplares, sem muitos defeitos. Custam mais caros, mas valorizam-se mais rapidamente. Só se deve comprar um exemplar imperfeito se for tão incomum que não se tenha esperança de encontrar logo outro melhor. Também prefira a encadernação original ou contemporânea, ainda que seja simples. Um livro na sua primeira encadernação tem muito mais charme e autenticidade, além de revelar detalhes e curiosidades típicos da época. O bom livreiro mencionará detalhes como esses ao conversar com seus clientes, ainda que não apareçam no catálogo. Não se envergonhe de perguntar.

    (Fonte: MORAES, Rubens Borba de. O Bibliófilo Aprendiz. Rio de Janeiro/Brasília,Casa da Palavras/Briquet de Lemos, 1998, 3ª Ed.)


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  • O SIMBOLISMO DO LIVRO

  • Além da associação mais imediata com a sabedoria, o livro é, num grau mais elevado, o símbolo do universo, presente da literatura árabe ao realismo fantástico, passando pelos rosa-cruzes. Mas o Livro da Vida do Apocalipse está no centro do Paraíso, confundindo-se com a árvore da vida: as folhas da árvore, como os caracteres do livro, representam tanto a totalidade dos seres como a totalidade dos decretos divinos. Também no Livro dos Mortos, uma coletânea de fórmulas sagradas dos egípcios, e nos livros sibilinos, que eram consultados pelos romanos nas situações excepcionais, o livro encerra esse simbolismo de segredo divino, só revelado ao iniciado.

    Se o universo é um livro, é que o livro é a Revelação, e, portanto, por extensão, a manifestação. O Liber Mundi dos rosa-cruzes é ao mesmo tempo a mensagem divina, o arquétipo do qual os diversos livros revelados não passam de traduções em linguagem inteligível. Em certas versões da Busca do Graal, o livro é também identificado com a taça, deixando claro o simbolismo: a busca do Graal é a busca da palavra perdida, da sabedoria suprema tornada acessível aos mortais.

    Um livro fechado significa a matéria virgem. Se está aberto, a matéria está fecundada. Fechado, conserva o seu segredo. Aberto, o conteúdo é tomado por quem o investiga. O coração é, assim, comparado a um livro: aberto, oferece seus pensamentos e sentimentos; fechado, ele os esconde.

    Para os alquimistas, a obra é expressa simbolicamente por um livro, aberto ou fechado, conforme a matéria-prima tenha sido trabalhada ou apenas extraída. Às vezes, quando o livro é figurado fechado, simbolizando a matéria bruta, ele aparece selado com sete fitas, representando as sete operações sucessivas que permitem abri-lo.

    (Fonte: CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos. Rio de Janeiro, José Olympio, 1998.)


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  • O LIVRO EM ROMA

  • Se do jornalismo os romanos só conheceram a bem dizer o cartaz, das letras, à parte a arte tipográfica, conheceram tudo. Durante a república mal existia a indústria do livro. Ordinariamente, o autor dava ou emprestava um traslado do seu trabalho aos amigos, que o faziam reproduzir. Se dispunham de vários librários, tiravam várias reproduções, cedendo-as sem lucro. Devoto de Cícero, Atticus tomou a si difundir-lhe as obras copiadas por seus numerosos escravos. Recebendo os versos do poeta Vibius, Cícero fê-los copiar e devolveu-os. No império, a edição de livros progrediu, conseguindo-se extrações manuscritas jamais igualadas, graças às abreviaturas, ao texto diminuto e à quantidade e destreza dos copistas. Em horas, os editores distribuiam centenas de exemplares de uma obra, colhendo lucros consideráveis.

    Um livro romano compunha-se de folhas de papiro ou pergaminho unidos numa tira contínua, repartida em quatro margeados, e enrolada em torno de um cilindro. Capeava o volume uma folha mais encorpada na qual em letras graúdas ia o título. Empregava-se no texto uma tinta feita de goma e pós de sapatos. O gosto e o fausto dos bibliófilos transferidos depois às encadernações, pompeavam na decoração a ouro e púrpura da capa e nos lavores das córnuas, às vezes talhados em ébano ou marfim, embutidos de prata e ouro e até cravejados de pedras preciosas. Também pompeavam na perfeição caligráfica, valendo mais um cópia saída, por exemplo, do famoso Calinus. Para preservar e perfumar um volume, embebia-se o rolo em óleo de cedro. Os livreiros, geralmente instalados sob os pórticos, poliam os volumes com pedra-pomes e os arrumavam numa espécie de vitrina. Horácio alude à loja dos irmãos Sósios, e Marcial às de Atrectus, do liberto secundus e de Valerianus Pollius Quintus. De Roma, os livros se difundiam pelas províncias: "eu ignorava a existência de livreiros em Lyon e fiquei contente de saber serem os meus trabalhos vendidos ai (...). Começo a estimar uma obra sobre a qual têm a mesma opinião homens de tão diferentes regiões". Ovídio não exageraria afirmando ecoarem os seus lamentos do Oriente ao Ocidente e além dos mares; nem Marcial ufanando-se de cantar a Bretanha os seus versos e sabê-los de cor Roma, onde "toda a gente os traz consigo ou os tem nas mãos".

    (Fonte: RIZZINI, Carlos. O Jornalismo Antes da Tipografia. São Paulo, 1977, Companhia Editora Nacional.)


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  • A BIBLIOFILIA

  • Com a difusão do prelo alastrou-se o gosto das letras e dos livros, sobretudo dos exemplares nobres, bem impressos e bem encadernados. Certos amadores encomendavam aos tipógrafos volumes singulares, em papel escolhido ou em velino, como relativamente às edições aldinas faziam Isabel d´Este e Lucrécia Bórgia. Machiavel não entrava em seu gabinete de leitura "santuário dos grandes homens da Antigüidade", senão vestido de gala e "durante quatro horas escava aos aborrecimentos, esquecia as tristezas, não mais temia a miséria e nem mesmo da morte se arreceava (...)". Ao modo das abelhas, voejando de flor em flor, Montaigne folheava ora um ora outro livro, segundo lhe dava na fantasia (...), por que a leitura tinha que ser um prazer e não uma servidão. A biblioteca era a sua sede, o canto subtraido à comunhão conjugal, filial e até civil.(...) Catarina de Médices deixou, em meio a inumeráveis objetos de arte, quatro mil volumes e setecentos manuscritos. O Bispo de Avranches, Daniel Huet, agremiou enorme livraria e como lesse sem cessar e durasse 91anos, acredita-se que ninguém no mundo estudasse tanto quanto ele. A Rainha Elizabeth da Inglaterra não perdeu no seu longo governo o pendor que a levara a ler os gregos, anotar Cícero e bordar capas de livros nas horas amargas de Whitehall. Visitando em Oxford a Bodleian Library, fundada por Thomas Bodlen e aberta em 1606, James I exclamou desejá-la para seu cárecere se algum dia fosse privado da liberdade.

    (Fonte: RIZZINI, Carlos.O Jornalismo Antes da Tipografia. São Paulo, 1977, Companhia Editora Nacional.)


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  • BIBLIOTECAS PARTICULARES

  • Apreciando com exatidão a finalidade das Bibliotécas Públicas, que é de entesourar livros e não a de dá-los a ler, Estêvão Baluze determinou em testamento a dispersão de sua livraria, afim de que os amadores e estudiosos pudessem beneficiar-se dela, na medida das respectivas posses e preferências. A grande vantagem das coleções particulares está precisamente nas partilhas periódicas. O livro é como o dinheiro: mais vale o que mais circula. Ressalvadas as exceções, a melhor das bibliotecas públicas atua menos na cultura geral do que o pior dos Sebos. Bem magra seria por certo a erudição humana se apenas se tivesse nutrido nos desolados refeitórios que são as livrarias oficiais, verdadeiros bibliótafos. Os pratos mais raros ou gostosos sabem sempre ali a ranço e a formol. Os estudiosos brasileiros, quando acham nas lojas algumas das magníficas obras adquiridas e encadernadas por Eduardo Prado, Alfredo de Carvalho, Alfredo Pujol ou Artur Mota, não sabem como agradecer a Minerva tê-las salvo de tombarem vivas no sarcófago das bibliotecas oficiais.
    Das afamadas coleções particulares, umas cumpriram o grato destino de reverter à circulação, como as de Richelieu e Colbert; outras estagnaram em livrarias públicas ou acabaram depredadas pela estupidez humana. A Biblioteca Laurenciana, de Florença, resultou dos conjuntos sucessivamente adquiridos pelos Médices. Scalinger legou os seus livros à Biblioteca de Leyde instituida pelo primeiro príncipe de Orange. Nos colégios de Cambridge guardam-se os valiosos manuscritos reunidos pelo arcebispo Parker, e na Bodleian Library os não menos valiosos coletados pelo conde de Pembroke e pelos arcebispos Laud e Narciso Marsh e por Samuel Pepys. Os livros dos cardeias de La Rochefoucauld e Le Tellier formam o fundo da Biblioteca de Santa Genoveva, famosa pelos seus exemplares aldinos e elzevirianos. A Mazarina, com dez mil volumes, franqueada ao público em 1643, deve a sua opulência ao próprio Cardeal Mazarino, já em Roma possuidor de preciosa coleção, e ao tino e erudição de Gabril Naudé. Os trinta mil livros de Antônio Magliabecchi nucleiam a Biblioteca Nacional de Florença e os do marquês Paulmy, perto de cem mil, a Biblioteca do Arsenal.

    (Fonte: RIZZINI, Carlos. O Jornalismo Antes da Tipografia. São Paulo, 1977, Companhia Editora Nacional.)


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  • BIBLIOTECAS PÚBLICAS

  • Antes e durante o quinhentismo fundaram-se diversas bibliotecas universitárias, tais as de Copenhague, Valladolid, Iena, Coimbra (1536), Laussane, Leipzig, Leyde, Utrecht e Edimburgo, e mais públicas, como as de Viena, Mogúncia, Lyon, Berna, Augsburgo, Gênova, e a Columbina, de Sevilha; a do Escurial e a Ambrosiana, de Milão; a Valliciliana, de Roma; a Estense, de Módena. Em 1595 abria-se a Nacional de Paris, originada da pequena coleção de Carlos V, em parte vendida ao Duque de Bedford e o restante mais tarde aduzido aos volumes confiscados por Carlos VIII e Luis XII nos armários italianos, principalmente dos Sforza. Francico I mudou-a de Blois para Fontainebleau e a enriqueceu com os manuscritos remetidos de Veneza e do Oriente pelo seu embaixador Guilherme Pellicier. Nos séculos seguintes generalizaram-se as bibliotecas por todas as cidades de relevo. A primeira biblioteca pública da América criou-a em Nova York, em 1700, o pastor João Sharp. As do Rio de Janeiro e de Buenos Aires datam ambas de 1810, a primeira instituída com os magníficos exemplares trazidos do Reino por Dom João VI, muitos de suma raridade, alguns únicos, quase todos providos do fundo doado por Barbosa Machado a Dom João V. Infelizmente grande parte desse opulento conjunto, paciente e sabiamente reunido pelo abade de Sever, estragou-se vitima da voracidade dos bichos e da desídia dos homens.

    (Fonte: RIZZINI, Carlos. O Jornalismo Antes da Tipografia. São Paulo, 1977, Companhia Editora Nacional.)


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  • O EPITÁFIO DE BENJAMIN FRANKLIN

  • A Benjamin Franklin (...) devem-se as bibliotecas coletivas, formadas de livros adquiridos com a contribuição regular de sócios, espécie de cooperativa, de clube literário, que tornava possível a importação na Filadélfia colonial das obras publicadas na Europa. Antes fundara uma biblioteca diferente (os sócios entravam com seus livros para um fundo comum), que não deu resultado. O constante amor de Franklin pelas letras rescende do epitáfio que para si compôs:

    Aqui jaz,
    largado aos vermes,
    o corpo de Benjamin Franklin, impressor,
    como a capa de um velho livro
    cujas folhas foram arrancadas
    e a douração e o título apagados.
    Mas por isso não está a obra perdida;
    ela reaparecerá,
    como ele o cria,
    em nova e melhor edição,
    revista e corrigida
    pelo
    Autor

    (Fonte: RIZZINI, Carlos. O Jornalismo Antes da Tipografia. São Paulo, 1977, Companhia Editora Nacional.)


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